Padre Victor
Anjo Tutelar de Três Pontas, MG

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Um acontecimento fugaz não se perpetuaria; ao contrário, teria ficado esquecido na poeira do passado

PadreVictorPequeno (1)Jesus Cristo nasceu no dia 25 de dezembro, embora saibamos que tal marcação não quer significar a precisão do dia do seu nascimento, mas, antes, sinaliza para um significado mais abrangente: Ele Nasceu para nós. Após mais de 2013 anos do seu nascimento, o mundo continua a lembrar com alegria tal evento. Pelo testemunho do Evangelho de Lucas, o Filho de Deus, concebido por obra do Espírito Santo, nasceu em um lugar não muito comum: uma estrebaria ou gruta, local habitado por animais durante a noite.

Mas não pretendo falar sobre o Natal de Jesus. Apenas o mencionei para poder fazer uma breve e humilde comparação. Gostaria de rabiscar algumas palavras sobre uma outra data que, para nós, trespontanos católicos, de maneira especial, às vezes passa despercebida: o dia em que nasceu nosso Anjo Tutelar, Padre Victor.

Não sabemos com precisão se foi à luz do dia ou da noite que nasceu Padre Victor. Porém não escondo que, particularmente, prefiro que tenha sido à noite.

Pelas nuances do tempo em que veio ao mundo, podemos supor que seu nascimento aconteceu em uma senzala, no local da habitação dos escravos negros. Sendo Filho de escrava, nasceu num porão e, ao seu redor, com certeza, alguns irmãos negros traziam nas mãos algemas. Senzala é privação da liberdade e lugar de pobreza.

Nasceu sem um leito confortável, sem o pai por perto. Na noite fria de abril, ao romper o ar nos pulmões, ouviu-se um grito de choro: um “menino nos foi dado”! Para os que habitavam nas sombras da escravidão, uma luz brilhou vitoriosa. E, de fato, tal luz escondida na face negra de uma criança recebeu como terceiro nome Victor (Vitorioso). Na certidão do Batismo, que aconteceu oito dias após seu nascimento, no dia 12 de abril, está registrado para todo o sempre como Francisco de Paula Victor. Como fora chamado por toda a Vida de Padre Victor, leva-nos a crer que, desde pequeno, fora chamado de Victor.

PeIvanisNasceu como filho de escrava qualquer, um negro em meio a tantos outros, algo que passou despercebido pelos demais e, claro, eles nem tiveram condições de notá-lo. Mas, com o tempo, se fez notar a terna predileção por parte da proprietária, a senhora Dona Mariana, pela criança escolhida para ser sua afilhada de Batismo. E ali, na casa grande, já não mais no porão da senzala foi crescendo nosso Anjinho tutelar. Adolescente, foi enviado à alfaiataria do Mestre Inácio (“aquele que quis ver dentes nas galinhas”), para aprender o ofício. E, por fim, na flor de sua juventude, deixou sobre a mesa o avental de alfaiate e rumou para o seminário, almejando outro instrumento de trabalho: a estola sacerdotal.

E assim rabisco minha humilde comparação, muito embora acima já o deva ter feito discretamente. As semelhanças do nascimento de Padre Victor com o Jesus.

Jesus nasceu pobre, sem leito, num lugar de simplicidade e anonimato. Padre Victor, também nasceu na senzala, lugar escondido no menor dos lugares.
Jesus foi a luz que brilhou nas trevas, o menino que nos foi dado (Is 9,5), a luz que venceu as trevas. Padre Victor, já pelo nome, lembra a vitória da Luz e, de fato, seu nascimento marcou um tempo de esperança para os futuros negros do Brasil.

Os pastores foram os primeiros a visitarem Jesus e, depois, os magos chegaram com preciosos presentes. Com Padre Victor não foi diferente, pois nasceu no meio de outros pobres e, como presente, recebeu a predileção de sua proprietária e madrinha.

Após oito dias de seu nascimento, o Filho de Deus recebeu o nome de Jesus (Lc 2, 21). Padre Victor, após oito dias de nascimento, foi conduzido à Igreja para ser batizado.

Jesus, desde cedo, aprendeu na carpintaria com José o ofício de carpinteiro (Mt 13, 55). Padre Victor também aprendeu a trabalhar sob os cuidados do Mestre Inácio (“aquele que quis ver dentes nas galinhas”).

E poderíamos continuar a comparar a vida de nosso anjo Tutelar com a de Jesus. Mas julgo-me satisfeito com as reflexões já tecidas neste texto.
12 de abril! Neste dia, nós, trespontanos católicos, devemos rezar com maior ardor, agradecendo a Deus pelo dom que foi a vida de Padre Victor. Não se trata de ir à Capela onde repousam seus restos mortais e dizer feliz aniversário, visto que, para a Fé da Igreja, a data mais importante é o 23 de setembro, dia em que ele nasceu para a eternidade. Entretanto, com alegria, é dia de louvar a Deus e de recordar com gratidão seu nascimento.

Um acontecimento fugaz não se perpetuaria; ao contrário, teria ficado esquecido na poeira do passado. No caso do nascimento de Padre Victor, não foi algo sem significância. Se o fosse, nosso povo não o teria com fé na memória do coração e eu não teria doado um pouco de meu tempo para escrever este artigo, muito embora não me considere o mais indicado para escrever sobre sua perfeita vida. Apenas continuo rabiscando o retrato de Padre Victor.

Pe. Vânis Vieira da Cunha
Pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida
Três Pontas – MG

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