Associação Padre Victor

A VOZ DO PASTOR – São José, esposo da Virgem Maria e Patrono da Igreja universal

São José, esposo da Virgem Maria e Patrono da Igreja universal

Deus confiou a São José as “primícias da Igreja”, isto é, Maria e o Menino. Protetor da cabeça e da mãe da Igreja, solícito e vigilante, São José era um homem justo. Ele viveu a obediência da fé. Foi um fiel cumpridor da vontade de Deus.

O termo justo, em hebraico (ÇEDEQ), significa ”justiça” (e justificação) no sentido de salvação, o poder e a vontade salvífica de Deus. Deus mesmo é o agente dessa justiça. Deus quer justificar o seu povo ao enviar o seu Filho. A justiça de Javé está em suas ações salvíficas, seja na história de Israel, seja no futuro messiânico.

Mateus, no seu Evangelho, usa o adjetivo grego Dikaios. Justo significa inocente, qualidade de não imputável. O justo é o homem de boa conduta. “Sendo justo” (Mt 1, 19), significa que a decisão de José foi uma decisão de clemência, reveladora não apenas da sua sabedoria e do domínio de si mesmo, mas também de sua benevolência e misericórdia, próprias de um homem justo; pois, para os hebreus, o noivado já era um compromisso decisivo relativo ao matrimônio. Faltava-lhe apenas a sanção da vida em comum ou a dois.

José compreendeu o Mistério da Encarnação de Cristo, concebido por Maria na disponibilidade e gratuidade do serviço a Deus. Depois de Maria, toda a Igreja deve uma singular graça e reverência a São José, como já escreveu São Bernardino de Sena. Tornou-se colaborador disponível e generoso do projeto da salvação com que Deus agraciou toda a humanidade.

Deus escolheu os justos e os simples para realizar seu amor no meio do seu povo. Assim, somos chamados a louvar a Deus pelo “sim” de São José; “sim” não verbal, mas comportamental. Ele não resiste a Deus. Mesmo sem falar, ele pode ser considerado o homem do “sim”(“José fez conforme o anjo do Senhor lhe havia ordenado”). Todos nós nos beneficiamos do silêncio afirmativo de São José. Em um mundo “líquido” e de muitos ruídos, falar de São José parece um sinal de contradição, pois aprendemos com ele a ver a presença de Deus nas pequenas coisas, mesmo sem entender plenamente a vontade D´Ele.

Na história da salvação coube também a São José dar o nome ao Filho de Deus. O nome indica a identidade, o carisma e a função de Jesus (Ieshuá). Cabia a ele formar Jesus na tradição e na fé dos patriarcas, pois Deus lhe confiou a formação humana, cultural e espiritual de seu Filho. De outro lado, deu-lhe também a graça especial de ser pai de Jesus e da Igreja. Essa graça paterna, São José a exerceu com alegria e humildade.

Celebrar o ano dedicado a São José, como nos orientou de forma inspiradora nosso Papa Francisco,com a Carta Apostólica Patris Corde, publicada por ocasião dos 150 anos da declaração do Esposo de Maria como Padroeiro da Igreja Católica, é celebrar a santidade, a espiritualidade e o silêncio fecundo do pai de Jesus. José foi apenas um servo humilde e perseverante, que abandonou seus projetos pessoais para cumprir o que o Senhor lhe pediu em sonho. Que seu silêncio e seu “sim” nos inspirem a meditar o Mistério de seu Filho, como centro de nossa vida e missão. Aprendamos com São José a beleza singela de nos colocarmos a serviço do plano de Deus, a fim de que suas virtudes produzam em nós muitos frutos. Um abençoado ano de São José a todos os nossos diocesanos.

São José, Patrono da Igreja, rogai por nós!

Dom Pedro Cunha Cruz

Bispo Diocesano da Campanha – MG

 

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