Associação Padre Victor

A voz do pastor: Vocação, dom e serviço

 No temático mês de agosto, a Igreja celebra as diversas vocações. Mesmo sendo variadas, todas as vocações têm uma só origem, que é Deus. É o mesmo e único Deus que nos chama. Os carismas, os dons e as vocações, além de terem uma só fonte, devem ser colocados a serviço da Igreja e dos homens. Uma vocação não existe senão no entrelaçar do chamado e resposta. Para nós, cristãos, não nos falta a consciência de que quem chama é Deus. Só Ele pode arrogar-se o direito de convidar e propor ao homem um caminho que definirá toda a sua vida.

O verbo latino “vocare” é a raiz de Voz e Vocação; ambas as palavras querem indicar que é Deus quem chama. É Ele quem dirige sua Palavra ao homem. Não podemos desmerecer que são múltiplas as formas ou os caminhos com que Deus nos chama. Por isso, não faltam, na história da Igreja, várias referências de pessoas que responderam ao seu chamado. Deus sempre se serve dos meios normais para nos chamar e permite que sua voz seja ouvida (“Samuel, Samuel”) para que o vocacionado O responda (“Fala, Senhor, que teu servo escuta”). A resposta a Deus que nos chama só pode ser dada mediante a fé, que é a obediência à sua Palavra e ao seu convite.

A voz amiga e convidativa de Deus sempre nos assiste no curso de todo o nosso itinerário vocacional, que implica toda uma vida. Talvez, por isso, é melhor falarmos de “chamamento”, dado que essa voz não se faz ouvir só no início da vocação, mas nos acompanha no curso de toda a nossa existência. Nesse propósito, o “Sim” deve ser renovado a cada dia de forma alegre e convicta. É verdade que, em toda autêntica vocação cristã, é tão importante a resposta quanto o chamado; mas é verdade também que ela se firma cada vez mais quanto mais nos sentimos assistidos por Aquele que nos chama. Portanto, “as vocações eclesiais são manifestações das incomensuráveis riquezas de Cristo (Ef 3, 8), e devem ser tidas em grande consideração e cultivadas com prontidão e solicitude” (RatioFundamentalis, n. 11). A missão da Igreja é “cuidar do nascimento, discernimento e acompanhamento das vocações, em particular, das vocações ao sacerdócio” (Pastores DaboVobis, n. 34).

Por outro lado, toda resposta vocacional engloba uma opção que exige de nós muitas renúncias, já que escolhemos livremente o caminho que Deus nos indica. Em meio a tantas vozes do mundo, sobressai aquela de Deus. Para tanto, todo vocacionado precisa viver a dinâmica de uma abertura radical a Deus e aos outros. Vocação é dom de Deus a serviço dos outros. Não podemos fazer mais conta de nossa vida, uma vez que atendemos ao seu apelo e ouvimos atentamente a voz do seu chamado. A vocação como dom e carisma sem esta abertura, doação e serviço, não é possível. A consciência da doação é indispensável em qualquer vocação na Igreja, seja esta sacerdotal, religiosa ou leiga. É nesta abertura, entrega e serviço aos outros que ocorre a realização vocacional. A vida cristã é uma vocação porque é uma vida segundo o Espírito.

O tema deste ano para o mês vocacional é: “Amados e chamados por Deus”. De fato, toda vocação encontra sua raiz no amor, pois ele é para o cristão a medida de todas as coisas e o fundamento de todo autêntico chamado de Deus. Cuidemos uns dos outros, amemo-nos mutuamente.Vivamos a alegria do nosso chamado, no serviço generoso à Igreja, no testemunho e entrega aos irmãos e irmãs.

Dom Pedro Cunha Cruz

Bispo Diocesano Da Campanha    

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