Associação Padre Victor

Artigos gerais › 23/08/2021

Alegria do Amor: Uma pastoral da Misericórdia

Este ano celebramos os 5 anos da publicação da Exortação Pós-sinodal AmorisLaetitia, publicada na Solenidade de São José, no ano de 2016.  A referida Exortação deixa transparecer, em muitos aspectos, que o Sínodo dos bispos assumiu a tarefa de examinar a situação das famílias de hoje, procurando oferecer orientações pastorais capazes de fortalecer os casais que se mantêm fiéis ao matrimônio, apesar de muitos ventos contrários, sem  deixar de nos enriquecer com algumas orientações pastorais capazes de curar as pessoas feridas por um fracasso na vida matrimonial; além de ajudar as famílias em situações irregulares, mas que aspiram a uma vida de autêntica graça sacramental.

Dentre os nove capítulos que compõem a referida Exortação, não podemos deixar de destacar o sexto, que trata das perspectivas pastorais entendidas como uma pastoral da misericórdia que se deve preocupar, em fundamentalmente, salvar o homem e a mulher dos temores hodiernos que dificultam a percepção da felicidade na resposta a tão singela e importante vocação que, cada vez mais, exige de todos nós uma organização pastoral de preparação para o matrimônio e acompanhamento das famílias,  sem desprezar uma acolhida aos divorciados recasados que aspiram a regularizar sua participação eclesial. Esses devem ser acolhidos pelo calor do Amor misericordioso, a fim de que encontrem o caminho de conversão e crescimento espiritual, restabelecendo sua união com Cristo.

Não podemos nos esquecer de que “aqueles que fazem parte da Igreja precisam de uma atenção pastoral misericordiosa e encorajadora” (A. L., n. 293). Essa exigência na ação pastoral da Igreja requer, sobretudo dos pastores ou ministros da misericórdia, uma verdadeira promoção do matrimônio cristão, sem negligenciar o discernimento pastoral das situações de pessoas que deixaram de viver esta realidade. Nesse caso, a lógica da integração passa a ser a chave de todo o acompanhamento pastoral, pois, como lembrou Papa Francisco: “o caminho da Igreja é o de não condenar eternamente ninguém; já que o caminho de Jesus é o da misericórdia e da integração” (A. L., n. 296).

No contexto deste mês vocacional, celebramos a Semana Nacional da família, cujo tema escolhido neste ano foi: “Alegria do amor na família”, em referência à Exortação Apostólica AmorisLaetitia. Assim, todos os fiéis são chamados a aprofundar esse tema através da Hora da Família, como momento de espiritualidade e catequese familiar; é uma oportunidade de fortalecermos a evangelização das famílias, estreitando ainda mais os seus laços mesmo em meio à crise pandêmica que estamos atravessando. Como pede nosso Papa Francisco, “o Evangelho da família é a alegria que enche o coração e a vida inteira”.

Por fim, somos chamados a assumir uma postura de discernimento pessoal e pastoral que favoreça um autêntico itinerário de acompanhamento a todas famílias, em especial as mais necessitadas, com muita solicitude pastoral. Tal atitude quer reforçar a confiança na misericórdia de Deus,  que não deve ser negada a ninguém.

  1. Pedro Cunha Cruz

Bispo Diocesano da Campanha-MG

 

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