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Notícias › 17/07/2019

Cardeal Müller apresenta objeções ao Instrumentum Laboris do Sínodo da Amazônia

O Cardeal alemão Gerhard Müller apresentou uma série de objeções ao Instrumentum Laboris do Sínodo da Amazônia, publicado no dia 17 de junho, que acontecerá em Roma, em outubro de 2019.

Em uma série de comentários oferecidos pelo Cardeal Müller, o qual foi Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé entre 2012 e 2017, à publicação do Grupo ACI CNA Deutsch, assinala, em primeiro lugar, uma ambivalência na definição de termos e objetivos.

Explica que o texto do Instrumentum Laboris possui “algumas tediosas redundâncias ” e que “se todas as repetições fossem eliminadas, o texto seria facilmente reduzido pela metade, inclusive menos “.

Entretanto, na opinião do Cardeal Müller, o problema não é tanto a excessiva extensão do texto, “mas o fato de que o significado dos termos-chave não são explicados e são utilizados de maneira inflada”.

Em concreto, cita conceitos pouco explicados como “caminho sinodal”, “desenvolvimento integral”, “Igreja samaritana, sinodal e aberta” ou “uma Igreja de abertura, a Igreja dos pobres, a Igreja da Amazônia”.

Em segundo lugar, assegura que “a estrutura do texto apresenta um giro radical na hermenêutica da teologia católica”. No Instrumentum Laboris, “toda a linha de pensamento se torna autorreferencial e circula em torno dos últimos documentos do Magistério do Papa Francisco, com algumas escassas referências ao Papa João Paulo II e Bento XVI”.

“Talvez o desejo era mostrar uma especial lealdade ao Papa, ou talvez acreditaram ser possível evitar os desafios do trabalho teológico quando se fazem constantes referências a palavras-chave conhecidas, e frequentemente repetidas, que os autores chamam, de maneira bastante incompetente de: «o mantra de Francisco»”.

O Cardeal destaca também que os autores do Instrumentum Laboris confundem “os papéis do Magistério por um lado, e da Sagrada Escritura pelo outro” e, inclusive, indica que o documento “chega ao ponto de afirmar que há novas fontes da Revelação”.

Diante disto, sublinha que “a Sagrada Escritura e a Tradição são as únicas fontes da Revelação”.

O Cardeal Müller se mostra também crítico ao método de trabalho da organização “Rede Eclesial Pan-Amazônica”, que foi praticamente criada para elaborar o Instrumentum Laboris e que “é uma sociedade fechada de pessoas com o mesmo ponto de vista sobre o mundo, tal como se pode observar facilmente na lista de nomes dos encontros pré-sinodais que tiveram lugar em Washington e Roma, que contém um número desproporcional de europeus de língua alemã”.

Nesse sentido, chamou a atenção sobre o fato de que, no documento, os autores, identificados com a chamada “Theologia India (Teologia indígena)”, “citam primordialmente a si mesmos”.

A imunidade deste grupo às objeções levantadas com seriedade, seu doutrinarismo, dogmatismo monolítico, ritualismo e clericalismo também são objetos da crítica do ex-Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Ele assegura que muitos deles carecem de experiência em América do Sul e, se lhes foi confiada esta tarefa, é porque “acreditam que os temas estão alinhados com a estratégia oficial e podem servir para controlar os temas do atual caminho sinodal que empreenderam a Conferência Episcopal alemã e o Comitê Central dos católicos alemães” em temas como a abolição do celibato, o acesso das mulheres ao sacerdócio ou a adoção da moral sexual revelada à ideologia de gênero.

Na reflexão do Cardeal Müller, adverte-se também sobre os perigos do conceito de “cosmovisão” presente no Instrumentum Laboris: “Uma cosmovisão com seus mitos e a magia ritual da Mãe ‘Natureza’, ou de seus sacrifícios aos ‘deuses’ e espíritos que assustam nosso intelecto, ou que nos tentam com falsas promessas, não podem de forma alguma ser um enfoque adequado para a vinda do Deus Trino em Sua Palavra e em Seu Espírito Santo”.

O Cardeal pede maior seriedade aos responsáveis pelo Instrumentum Laboris e pergunta: “Acaso na formação dos futuros pastores e teólogos deve-se substituir o conhecimento da filosofia clássica e moderna, dos Padres da Igreja, da teologia moderna e dos concílios pela cosmovisão amazônica e a sabedoria dos antepassados com seus mitos e rituais?”.

“A contemplação do cosmos é apenas a ocasião para glorificar Deus e seu maravilhoso trabalho na natureza e na história. O cosmos, entretanto, não deve ser adorado como Deus; só o Criador deve sê-lo”, enfatiza o Cardeal.

Do mesmo modo, rechaça conceitos como “teologia indígena” ou “ecoteologia”: “são uma derivação do romanticismo social”.

“A teologia é a compreensão (intellectus fidei) da Revelação de Deus em Sua Palavra na Profissão de Fé da Igreja, e não uma nova e contínua mistura de sentimentos do mundo e de pontos de vista do mundo ou de constelações religiosas-morais do sentimento cósmico tudo-em-um, a mistura dos sentimentos do próprio eu com os do mundo”.

Pelo contrário, “nosso mundo natural é a criação de um Deus Pessoal. A fé no sentido cristão é, portanto, o reconhecimento de Deus em Sua Palavra Eterna que se fez Carne: é a iluminação do Espírito Santo para que reconheçamos a Deus em Cristo”.

O Cardeal Müller finaliza sua análise do Instrumentum Laboris assinalando que o que falta no documento “é um testemunho claro da autocomunicação de Deus no verbum incarnatum, da sacramentalidade da Igreja, dos Sacramentos como meio objetivo da Graça em lugar de meros símbolos autorreferenciais, do caráter sobrenatural da Graça”.

“A integridade do homem não consiste só na unidade com uma bio-natureza, mas na Filiação Divina e na comunhão plena de graça com a Santíssima Trindade, de modo que a vida eterna é o prêmio pela conversão a Deus, a reconciliação com Ele, e não somente aquela com o meio ambiente e com nosso mundo compartilhado”.

O Cardeal conclui: “Em vez de apresentar uma aproximação ambígua a uma vaga religiosidade e à tentativa inútil de transformar o cristianismo em uma ciência de salvação, sacralizando o cosmos, a biodiversidade da natureza e a ecologia, deve-se olhar para o centro e a origem da nossa fé”.

Via ACI Digital

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